Opinião: Lembranças da queda vascaína (daqui a 30 anos)
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da heads bet: Daqui a 30 anos, o mundo terá mudado muito, mas a paixão do torcedor pelo seu time permanecerá inabalada. Mas ninguém terá tão fresco na memória tudo o que aconteceu neste terceiro rebaixamento do Vasco em oito anos. Agora imagine um diálogo de você, cruz-maltino que terá seu filho daqui a 15 anos, com este mesmo herdeiro:
– Pai, eu estava pesquisando aqui: aquele Brasileiro de 2015 tinha Chapecoense, Ponte Preta, Avaí… como que o Vasco conseguiu ser rebaixado?
– Ah, filho. Faz parte. Coisas do futebol – você dirá, querendo mudar de assunto.
– Mas o time era ruim? Disseram que conseguiu uma arrancada no segundo turno.
– Os caras que começaram o campeonato não passavam a menor confiança, mas depois chegaram outros que deram uma sobrevida.
– Mas… Vamos lá: quem era o goleiro?
– Martin Silva. Pegava muito. Era da seleção uruguaia.
– Laterais?
– Na direita era o Madson, que corria muito no ataque e não comprometia na defesa. Na esquerda, o Julio Cesar foi um dos que encaixaram no meio do campeonato, e até fez gols importantes.
– Zaga?
– Tinha o Luan, que era muito promissor, passou por Seleção Sub-20, quase foi pra Olimpíada, e o Rodrigo, um xerifão. Fazia gol de cabeça e de falta. Mesmo com 35 anos, a diretoria renovou o contrato dele.
– No meio-campo, tinha quem?
– Ah, mudou bastante. Mas quando o time se acertou, foi com o Diguinho, bicampeão brasileiro no Fluminense, tinha também o Andrezinho, que pegava muito bem na bola, e o Nenê, que comeu a bola no segundo turno.
– Nenê?
– É. Ele jogou no Brasil no início e no fim da carreira. Muito técnico, amigo do Falcão do futsal, sabe quem?
– Ouvi falar…
– Mas tinha outros caras de nome também no banco. Julio dos Santos, Guiñazú…
– Quem?
– Um foi artilheiro de Libertadores, o outro roubava bola como ninguém.
– E esses caras eram banco?
– Sim.
– Como?
– Não rendiam.
– Mas e o ataque, não convencia? Não tinha ninguém de nome?
– Até tinha. Jorge Henrique, Herrera, Dagober…
– O Dagoberto foi do Vasco?!
– Foi. Você sabe quem é?
– Claro, o cara foi pentacampeão brasileiro, pô! Ele fez muito gol?
– Não. No Brasileiro, nenhum. Em agosto ele já nem treinava com o grupo mais, vai entender…
– Como que pode?
– Sei lá, filho. Um outro atacante era o Rafael Silva, que tinha uma estrela danada. Era “caçador de urubu”!
– É um que aparece nessas reportagens de véspera de final?
– Isso. Que nem o Cocada, de décadas antes.
– Mas peraê, pai. Você fala de um jeito que parece que esse time era bom. Como que caiu?
– Sei lá, p… Chega!
– Arbitragem atrapalhou?
– Ah, c… Sim, mas o primeiro turno foi horrível. Fizemos só 13 pontos.
– É, aí não há o que dê jeito. E quem era o presidente?
– (respira impaciente) Eurico.
– Eurico Miranda?
– Primeiro e único.
– Não sabia que ele tinha essa mancha no currículo de dirigente.
– Tem, tem sim. E chegou a garantir que o Vasco não cairia. Ele tinha um jeitão meio garantido, mas nada resolveu.
– Pai… você falou tudo isso e eu continuei sem entender.
– Eu disse que era complicado entender. Agora, o que eu não consigo entender é por que você não foi dormir ainda.
– Depois dessa que eu não consigo dormir mesmo.
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